terça-feira


“Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” Jd. 4

O problema central do texto de Judas é identificado nesse versículo, é o motivo pelo qual ele escreve para a comunidade que pastoreia, com o objetivo de alertá-los sobre o que já havia sido profetizado pelos antigos profetas e mais recentemente pelos apóstolos e discípulos de Jesus.

A igreja estava sendo invadida por falsos mestres com falsos ensinamentos, eles de forma dissimulada se infiltravam, quase que desapercebidamente no meio dos cristãos. Todavia, diante do olhar do pastor atento, eles eram desmascarados, por essa razão a comunidade dos santos é alertada sobre tal ensinamento e sobre tal liderança.

Homens ímpios, com uma conduta imoral, viciados no pecar, que pecavam deliberadamente, ou seja, planejavam e cogitavam pecar, desvirtuando a mensagem da graça, banalizando o sacrifício de Cristo. Tomavam para si a doutrina da graça como uma permissão para fazer tudo o que quisessem, mas relegavam para o nada a doutrina da santificação. Eles eram libertinos, ou seja, faziam uso da graça para dar vazão aos pecados da carne.

O amor de Deus é incondicional na forma como nos aceita, mas não na forma que nos transforma, somos amados sem condição, mas amados para uma condição que é sermos a semelhança do Cristo. Deus nos ama para um fim, o amor que na transformação diária é incondicional é um amor sem objetivo. Entretanto o amor com o qual Cristo nos amou quer nos levar a nossa nova natureza, Ele nos recebe incondicionalmente, mas nos ama com a condição de nos conduzir por amor e em amor para a nova vida que nos é dada gratuitamente. Isso é graça, um amor gratuito com uma finalidade de transformação. Libertinagem é um amor gratuito sem objetivo e finalidade de transformação.

Os libertinos não buscam a santidade como padrão de vida, eles menosprezam a lei de Deus, pois acham que o sacrifício de Cristo não tem relação com a Lei, mas esquecem que o próprio Jesus disse que não veio para revogar a lei, mas sim cumpri-la, esquecem também que nem um til será alterado da lei, ou seja, a graça de Cristo não excluí a lei, antes nos dá força para andarmos acima da lei, sermos irrepreensíveis perante a lei.

Viver pecando deliberadamente é não reconhecer a Cristo como Senhor soberano e único. Quem reconhece a Cristo como soberano em tudo o que faz é alguém que vive buscando agradar a Cristo e ser como Ele é.

Diante do descaso com a lei de Deus os santos devem responder com santidade.
Diante da libertinagem os santos devem viver em submissão ao Pai.
Diante da dissimulação e relativização do pecado os santos devem mostrar-se cristãos convictos no árduo caminho do ser como Ele é.

[Texto da série de devocionais sobre o livro de Judas]

sexta-feira

Miserum


Tudo que tenho é um pedido de misericórdia
Leve esse miserável em teu coração
Já não possuo forças para me libertar, caí em uma vala profunda que eu mesmo cavei
Não me repreendas Senhor segundo as minhas iniquidades
Que teu juízo venha como a brisa da manhã
Que o teu perdão venha como a chuva forte em tempos de calor
Sei que já apresentei meu pedido de perdão centenas de vezes
Por centenas de vezes caí no mesmo erro
Mas sei também que o sangue de teu filho anulou a sentença que marcava contra mim
Por isso cada pedido é novo, como é nova a cada dia a tua misericórdia
 Leve esse miserável em teu coração
Mais uma vez Senhor
Por mais um dia
Careço da tua graça
Que o teu castigo venha sobre mim como uma seda sobre o rosto
Que o teu amor venha sobre mim como o sol forte do meio dia
Não desista de mim Senhor
Lembre-se da promessa que fizeste
Lembre-se que jurou pelo teu nome que permaneceria comigo
Até que em mim se formasse a imagem do teu filho
Lembre-se Senhor
Não desista de mim
Não por mim, mas por amor ao Teu nome
Por amor ao teu juramento
Cria em mim um coração puro
Dá-me um coração sedento por Ti, faminto por Ti.

terça-feira


“Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.” Jd. 3

Judas não queria escrever essa carta com esse conteúdo, seu objetivo era escrever sobre outro assunto, todavia, como um pastor atento ao seu rebanho e percebendo o perigo iminente, ele arregaça as mangas e põe-se a exortar e encorajar a igreja que lhe foi confiada por Deus.

Os pastores são assim, por vezes fazem o que não gostam para preservar a igreja do Senhor. Ser pastor, ou líder, é colocar-se a disposição integral da comunidade dos santos, é colocar-se a disposição do Senhor e submeter seus prazeres, gostos e desejos, ao dever de pastorear o rebanho do Senhor.

Ser pastor é estar alerta em todo tempo, farejando qualquer perigo e pronto para encorajar a comunidade de Jesus a lutar pela fé que receberam. Fé que é muito mais que confiança, mas uma fé como um corpo de doutrinas no qual se pauta toda a vida. Ser pastor é relembrar-se a si mesmo e aos fiéis, os ensinamentos de 
Cristo e dos apóstolos. É combater a heresia e o falso ensinamento, com amor e ousadia, com verdade e zelo.

Judas é um bom pastor, pois faz o que é necessário à comunidade mesmo sendo o que não estava em seus planos, pois o seu plano primário é cuidar da igreja de Jesus. Isso é o que um pastor deve fazer, cuidar da igreja do Senhor, zelar por ela e vigiar como uma sentinela. Enquanto todos dormem o pastor está vigiando, orando e cuidando da comunidade de Jesus.

O pastor é aquele que chama o povo a lutar pela fé que lhes foi entregue, lembrando a todos sobre o que foi ensinado. Sendo assim o pastor é aquele que faz com que a igreja olhe para trás e busque direcionamento para seguir adiante. Essa luta se dá em meio à agonia, pois é um andar contra o fluxo, é o custo do discipulado de Cristo, é permanecer inabalável diante dos ventos da dúvida e da descrença.

Santos são aqueles que receberam, cuidam e vivem a palavra de Deus, dada pelos profetas, por Cristo e pelos apóstolos. O que passa disso é maldição, é palavra de homem é ensinamento de falso profeta, os quais já foram anunciados desde tempos antigos e que desde sempre buscam infiltrar-se na comunidade de Jesus para semear discórdia e incredulidade. Todavia, o pastor é aquele que se põe como escudo e referencial para a comunidade, alertando e encorajando a todos a permanecerem na fé.

Ser pastor da comunidade de Jesus é submeter-se a vontade de Deus.
Submeter-se a vontade de Deus é abrir mão de suas próprias vontades por algo maior.
Abrir mão da própria vontade é ter em nós o mesmo Espírito que houve em Cristo.
Ter o mesmo Espírito que houve em Cristo é tomar parte da encarnação.
Tomar parte da encarnação é estar disposto a ir para a cruz e ir para a cruz é submeter-se a vontade do Pai.

[Este texto faz parte da série de estudos sobre o livro de Judas]

quinta-feira

Fé Cristã


Fé Cristã é a centralidade de Cristo como Caminho e Verdade, não apenas como um dos, mas como o Único Caminho e a Única Verdade. Aí reside à diferença entre a Fé Cristã e outras construções religiosas, ela não é um dos caminhos, ela é o Único Caminho. Não há outro meio para se achegar a Deus a não ser pelo Cristo.

A Fé Cristã não se institucionaliza, não vira um ismo ou uma logia, mesmo que a instituição se valha dela, ela não se pode estruturar e se encaixotar, pois a sua força vem do Cristo que morreu e ressuscitou, ou seja, ela é Viva, uma Fé dinâmica, uma verdade atuante e um caminho de salvação. E por ser uma fé viva só pode ser vivida e é na vida que torna-se real, saindo da abstração e encarnando na realidade humana, gerando salvação e transformação.

O cristão é o discípulo do Cristo, acima de qualquer outro líder, ele segue o exemplo do mestre, ouve seus ensinamentos e medita nas suas palavras e na revelação dada pelo Pai. Participar dessa fé é experimentar o milagre de morrer para o velho homem e viver uma nova vida a vida doada pelo Pai, através do Cristo e mantida pelo Espírito Santo.

Essa vida desenvolve-se na comunidade dos fiéis, local onde há partilha da mesma fé e há uma relação de cuidado e crescimento mútuo, uma dimensão de corpo, um milagre da multiplicação de ser um, mesmo sendo muitos. Essa comunidade reflete a Cristo e o tem por cabeça desse corpo, é Ele quem dá a direção e o sentido para essa comunidade chamada de igreja, igreja não no sentido institucional como conhecemos hoje, mas muito mais profunda, Igreja de Cristo, cujos membros são todos que partilham da Fé Cristã.

A comunidade dos fiéis está na história e no mundo, mas não são guiados pelo espírito desse mundo, são guiados pelo Espírito de Deus. A igreja de Cristo transforma o ambiente em que vive e é a extensão do poder da ressurreição, manifestação do amor do Pai para o mundo e para aqueles que ainda estão perdidos.

A igreja age no mundo por meio da missão e a missão é a preocupação com o resgate do homem por inteiro. Não apenas sua alma, mas a transformação do ser por completo, trazendo a vida abundante e a dignidade de ser humano como Cristo foi. A missão é envolta pelo evangelho e o evangelho é o Deus em missão, só agimos de tal maneira, pois Ele assim agiu primeiro. O primeiro a fazer missão é Deus e o próprio 
Deus nos convoca para tal obra.

Enfim, a Fé Cristã é seguir o Cristo tornando-se seu discípulo, participando da comunidade de Jesus, guiado pelo Espírito de Deus e compromissado com a transformação do planeta e do ser humano por completo.