sábado

Sobre a divisão

Dividiram o mundo
Dividiram a casa
Declararam guerra
Sobraram partes
Partes que somadas
Já não davam um inteiro
Por ironia assim seguiu
Um mundo inteiro
Dividido em partes 

Calebe R. Ribeiro

OS MAGOS E O IMPACTO DA REVELAÇAO GERAL


O nascimento de Jesus revela o desejo de Deus em ser conhecido por todas as nações. Isso fica visível com a presença dos magos, vindos do Oriente, para o encontro do “rei dos judeus”. Essa presença revela que o nascimento do Cristo não foi exclusivo para os judeus, havia ali representantes de outros povos, fruto de um desejo divino de ser conhecido entre as nações.
Mas como os magos chegaram até Cristo¿
O texto de Mateus revela muito mais do que um Deus desejoso de ser conhecido entre os povos. É possível perceber o impacto da revelação geral sobre a vida dos homens e também a ação de Deus no processo de revelação.
Os magos são guiados pela “estrela do rei dos judeus”. Isso por si só já é surpreendente, pois o menino Jesus tinha uma estrela que era só dele. Entre tantas estrelas no cosmos, os magos conseguiram identificar uma estrela única e singular que era a estrela do Rei dos Judeus.
Os magos antigos eram estudiosos dos astros, por essa razão, esses sábios que chegaram ao menino Jesus, fazem referência a uma estrela. Em seus estudos dos astros encontraram uma estrela diferente das outras ou que se movimentava de forma singular, o que lhes chamou a atenção.
Mas como eles associaram essa estrela ao rei dos Judeus¿
Os magos vindos do Oriente (antiga região babilônica e persa) provavelmente realizaram uma busca em seus escritos e registros, para descobrir alguma referencia a essa estrela, porém, não encontraram entre os escritos de seus profetas e sábios. Todavia, aquela era uma região onde os judeus haviam passado na época do exílio e lá ficaram por décadas, assimilando a cultura babilônica, mas também deixando a cultura judaica (basta ver a influência de Daniel e o culto ao “Deus de Daniel”, imposto por Nabucodonosor).
É possível que esses magos tivessem algum contato com os profetas e os textos dos hebreus e lá puderam encontrar a profecia de Nm 24.17: “Uma estrela procederá de Jacó. Esta profecia foi dada por Balaão, que era um adivinho babilônico e falava a respeito do rei levantado para Israel. Os magos caminham seguindo a estrela, porém, eles estavam cônscios do destino final que era o encontro com “o rei dos judeus’’. Logo, eles possuíam uma informação a respeito do significado da estrela que apareceu no horizonte e foi revelada a eles.
Esse movimento todo revela a fantástica e surpreendente ação de Deus na história em se revelar ao povos e preservar o seu testemunho entre as nações. A visita dos magos ao nascimento do Cristo revela um Deus que de forma maestral conduz a história e dirige os astros, objetivando a sua revelação entre os homens.
 Todavia, o conhecimento revelado aos magos não era completo, pois estes não sabiam o local exato do nascimento do menino e também não haviam discernido quem era o menino nascido. É interessante observar que eles chegam em Jerusalém perguntando sobre “onde estava o recém-nascido rei dos judeus”, são os judeus que informam aos magos do Oriente o local do nascimento e também que esse rei era o “Cristo, aquele que apascentaria Israel”. 
Os magos detinham uma revelação que os conduziram até uma parte do trajeto e com uma perspectiva de quem era esse menino. Porém, quando entram em contato com os judeus, eles recebem a informação do local e o mais importante, a informação sobre quem era esse menino. Esse conhecimento especial havia sido entregue aos judeus, de forma privilegiada, era uma revelação maior e mais profunda sobre Deus.
Temos nesse texto o encontro da revelação geral e revelação especial. Os magos por meio da revelação geral de Deus (a estrela no céu) e fragmentos da revelação especial (no caso a profecia de Balaão), são conduzidos até o menino, que para eles seria o rei de Israel. Porém, devido a revelação dada aos judeus, descobrem o local exato e que esse menino estava destinado a ser muito mais do que um rei, Ele seria o Cristo!
A revelação geral nos conduz a revelação especial que culmina no encontro com o Cristo. Sábios foram os magos, que mesmo com pouca informação, deixaram-se ser conduzidos até o menino Jesus. Em contra partida, em Jerusalém, aqueles que muito conheciam, não permitiram-se ser conduzidos até o menino Jesus.
Há de se converter todo conhecimento em fé submissa. Pois o Cristo, só se encontra e se é encontrado por meio da Fé.

Calebe Ramos Ribeiro

quinta-feira

DISCERNINDO OS TEMPO E A AÇÃO DE DEUS NO TEMPO

Jesus viveu discernindo os tempos e a ação de Deus no tempo. O apóstolo João nos ajuda a perceber essa sensibilidade do Cristo, quando decide registrar em seu livro uma informação que a princípio parecesse não disser muita coisa: “Era preciso passar pela Samaria” (Jo 4.4).


Jesus estava deixando a Judéia e retornando à Galiléia. Entre esses dois territórios, estava Samaria, terra dos samaritanos que por tempos, mantinham uma relação conflituosa com os judeus e vice e versa. Entre o ponto onde Jesus estava e o seu destino final, o trajeto mais reto era passar por Samaria, porém não era a única opção e devido ao ódio judeu ao povo samaritano, passar por Samaria seria a última opção, por se apresentar também como um caminho perigoso aos judeus (ver Lc. 9.51-56 onde Jesus é proibido de passar por Samaria para ir até Jerusalém).


A fala de João evidência mais que uma necessidade de percurso geográfico. Como afirma D. L. Moody em seu comentário sobre a passagem: “Em João, essa palavra costuma apontar uma necessidade divina, e pode ser o caso aqui, indicando a necessidade de lidar com os samaritanos, abrindo-lhes as portas da vida.”


Mas que necessidade divina seria essa que incluiu a cidade de Samaria na rota do Cristo¿


O profeta Amós nos ajuda a compreender essa necessidade divina de passar por Samaria. Amós é um profeta levantado por Deus para pregar ao reino do Norte, que tinha por capital a cidade de Samaria. O reino do norte foi conhecido como um reino perverso, conduzido por reis e líderes religiosos que rejeitaram a Deus e sua lei. Um povo que rejeitava a admoestação do próprio Deus através dos profetas, como diz Amós: “Mas vós ordenastes aos profetas: Não profetizem!” (Am 2.12).


Por essa razão, o juízo e condenação ao reino do norte é um dos mais duros juízos entregue pelos profetas: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que enviarei fome à terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor. Cambalearão de um mar a outro mar, errarão do norte até o levante à procura da palavra do Senhor, mas não a encontrarão!” (Am 8.11-12).


O povo do reino do norte seria assolado por “Fome e Sede”, porém a fome não seria de comida e a sede de bebida, mas sim fome e sede da palavra de Deus. Não se ouviria mais a voz de Deus através dos profetas nas terras do reino do norte. Deus não levantaria mais profetas entre àqueles que optaram por “calar os profetas” enviados por Deus.


A profecia de Amós se cumpre após a queda do reino do Norte, pelo império Assírio. As terras são tomadas, as tribos dispersas e o povo levado para o cativeiro, quem ficou passou a conviver com estrangeiros o que propiciou uma mistura de raças nessa região (um dos motivos do preconceito do judeu para com o samaritano). 


Durante esse tempo não há registro de profetas enviados para falar ao reino do Norte ou ao que havia sobrado dele. É um povo que de certa forma some da narrativa bíblica e reaparece nos tempos de Jesus, concentrado na cidade de Samaria, antiga capital do Reino do Norte.


No diálogo de Jesus com a mulher samaritana é possível perceber que o povo samaritano ainda conservava a prática do culto, a esperança messiânica, a imagem e respeito pelos patriarcas, o zelo litúrgico e apego ao local de adoração, enfim, havia uma expressão de devoção a Deus entre os samaritanos, ou parte deles. Porém não temos registro bíblico de profetas pregando para esse povo. 


Após os 400 anos do período chamado “inter-bíblico”, conhecido também como “o silêncio de Deus”, temos o registro do profeta João Batista pregando para os judeus, remanescentes do reino do sul. Diferentemente do Antigo Testamento, onde profetas eram levantados para falar para os dois reinos, no Novo Testamente, João, que encerra o movimento profético do AT e inaugura um novo momento, foi levantado para pregar aos judeus e ponto, seu ministério se concentra para os judeus.


Todavia, João nos revela que “era necessário ao Cristo passar por Samaria!”


A profecia de Amós dizia que haveria “fome e sede” da palavra. Essa palavra se cumpre e o povo passa séculos sem uma voz profética levantada por Deus, até o momento de Jesus passar por Samaria.


Lá, o mestre encontra uma mulher junto à fonte. Uma mulher sedenta e um povo sedento que por anos não ouviam mais a voz do altíssimo pelos seus profetas, porém acalentavam uma esperança messiânica. Havia fome e sede da palavra, porém Jesus anuncia que estava ali a “água da vida” e quem dele bebesse “jamais voltaria a ter sede, antes seria uma fonte jorrando para a vida eterna”. 


Era preciso que Jesus passasse em Samaria para avisar àquela gente que o tempo da profecia de Amós havia se cumprido. O tempo de silêncio do Eterno havia se encerrado. Deus estava enviando aos samaritanos o maior dos profetas, o seu próprio filho.


Por ali, Jesus ficou por mais dois dias, saciando a fome e sede de muita gente. Fome e sede da palavra de Deus que agora estava novamente à disposição do povo. 


Jesus discerniu o tempo e o que Deus nele estava fazendo.

segunda-feira

ESPIRITUALIDADE EMOCIONALMENTE MADURA

TEMA: Sensibilidade
Textos: Mt 4.1; Mc 6.34; Lc 7.12-13; Jo. 4-4.

INTRODUÇÃO:
A fé Cristã é um convide para o amadurecimento. Jesus quer formar em nós uma vida madura, em todas as suas dimensões: Emocional, física, social e espiritual. Por essa razão, caminhar com Cristo é caminhar para o amadurecimento, para uma espiritualidade madura.
Nessa série já se falou sobre transparência e coragem, como elementos de uma espiritualidade emocionalmente madura (ou poderíamos chamar de emoção espiritualmente madura). Hoje falaremos sobre sensibilidade. Obviamente não no sentido piegas da palavra, mas na perspectiva da capacidade de nutrir uma abertura em si para ouvir/ver/sentir/discernir à Deus, à vida, ao próximo e tantas outras questões concernentes a nossa existência.
Faz-se necessário falarmos sobre sensibilidade como um fruto dessa espiritualidade madura, pois uma das capacidades humanas a serem afetadas com a queda, foi justamente a sensibilidade. Temos dificuldades para ouvir à Deus, ao próximo e a nós mesmos (Gn 3).
Jesus foi um HOMEM sensível, vale ressaltar que foi um HOMEM sensível, pois por vezes negligenciamos, ou custamos a crer na humanidade de Jesus e invalidamos seu exemplo, por sua divindade, o que é um erro, obviamente, já que o apóstolo Paulo nos ensinou que Cristo é o Deus esvaziado de suas prerrogativas, assumindo a forma humana (Fp 2.5-11).
Por essa razão, percorreremos os evangelhos, buscando 4 situações que revelam um aspecto da sensibilidade de Jesus. Claro, que poderíamos destacar bem mais do que 4 situações, pois a vida de Cristo, foi e é uma expressão límpida do que é uma vida sensível à Deus, ao próximo, ao mundo e a si próprio, porém 4 nos bastará.
Andar com Cristo é abraçar o convite de abrir espaço para Deus formar em nós a vida Dele, ou seja, a vida de Cristo. Como o apóstolo Paulo bem disse, estamos focando e nos espelhando no próprio Cristo, Ele é nossa fonte de inspiração a quem devemos imitar (ICor 11.1). 

O EVANGELHOS E A SENSIBILIDADE DE JESUS:

JESUS ERA SENSÍVEL AO ESPÍRITO SANTO – Mt 4.1
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.”

O ministério de Cristo foi todo conduzido pelo Espírito Santo. Isso fica bem evidente nos evangelhos, sobretudo em Lucas. Ele nasce como fruto da ação do Espírito Santo. É batizado com o Espírito Santo e conduzido por Ele. Essa revelação dada pelos evangelhos nos ensina ao menos duas verdades: 1) Destaca a humanidade de Cristo e sua dependência do Espírito Santo e 2) Revela que Cristo era sensível e submisso à condução do Espírito Santo.
O próprio Cristo não desenvolve o seu ministério na sua própria força, mas sim na força do Espírito Santo, pois é apenas por meio do Espírito Santo que conseguimos ser operosos no reino de Deus. É Ele quem age na história desde o princípio levantando e municiando os homens para que esses façam a vontade de Deus e andem nos seus caminhos. Jesus sabia disso e por essa razão mantinha um coração aberto e submisso ao mover do Espírito, não importa para onde o Espírito o levasse, pois aqui, Cristo está sendo conduzido diretamente para ser tentado pelo Diabo, todavia, Ele se submete à condução do Espírito.
“Quando somos conduzidos pelo Espirito Santo, andamos em paz, mesmo que a condução nos deixe cara a cara com o Diabo. Porém, quando somos conduzidos pelo espírito do diabo, andamos com medo, mesmo que o trajeto nos deixe cara a cara com Deus.”
Se até Cristo foi sensível ao Espírito, quanto mais nós devemos ser?
A vida cristã se desenvolve através da condução do Espírito Santo. Ele fala conosco de diversas formas (sonhos, palavras, orações, intercessões, comunhão, experiência) precisamos viver de tal forma que durante a nossa caminhada, não nos tornemo-nos insensíveis a sua voz. O apóstolo Paulo nos recomenda por duas vezes para não apagarmos ou entristecermos o Espírito (Ef. 4.30; Its 5.19). Nos tornamos surdos à voz do Espírito quando passamos a ouvir mais o pecado e deixamos ele ditar nossos passos.
Precisamos aprender com Jesus a SERMOS SENSÍVEIS AO ESPÍRITO SANTO e a confiarmos em sua condução. Devemos dar espaço para e liberdade para o Espírito Santo em nós pedindo para que Deus derrube toda e qualquer barreira que impeça o seu governo em nós.

JESUS ERA SENSÍVEL AS ORAÇÕES DOS IRMÃOS – Mc 6.34
“E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.”

Após receber a notícia da morte de seu primo João Batista, Jesus aproveita o retorno da viagem missionária dos seus discípulos e se retira para um lugar, afim de descansar. Porém a multidão interrompe a sua tentativa de descanso, pois descobre sua localização e o seguem. Jesus não rejeita a multidão, pelo contrário, a acolhe como um pastor acolhe ovelhas perdidas.
Esse poderia ser apenas mais um episódio de compaixão do mestre para com a multidão. O que o faz ser diferente é a expressão usada por Marcos ao se referir ao olhar de Jesus: “eram como ovelhas sem pastor”. Essa não foi a primeira vez que essa expressão havia aparecido na história, ela aparece em sua primeira vez, em uma oração feita por Moisés, onde o libertador de Israel, pede à Deus: “ponha um homem sobre esta congregação que saia adiante deles, e que entre adiante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar, para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não tem pastor” (Nm 27.16-17). 
Não era Josué a resposta da oração de Moisés, pois Marcos, séculos depois, relembra que o povo ainda estava sem pastor, vagando perdidamente. Porém, Jesus se coloca como resposta à oração do profeta, Ele é o pastor que guiará de uma vez por todo o povo para o descanso de Deus. Jesus não apenas orava à Deus, mas era sensível às orações realizadas na histórias por homens levantados por Deus e se colocava como resposta à essas orações.
Precisamos aprender com Jesus A SERMOS SENSÍVEIS AS ORAÇÕES DOS NOSSOS IRMÃOS, para nos colocarmos diante de Deus e do nosso próximo como resposta de oração. Quantas orações chegam a nós e por quantas vezes temos a sensibilidade de ouvir e nos colocarmos como resposta à essas orações?
O apóstolo Paulo em sonho, recebe a oração de um Macedônio que clama por sua visita, não estava em sua rota, porém, o apóstolo logo se coloca como resposta a essa oração (At 16.9). 

JESUS ERA SENSÍVEL AO SOFRIMENTO HUMANO – Lc 7.12-13
“E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores.”

Jesus não é apenas o Deus que entra na história e existência humana, mas também o Deus que entra e participa dos dilemas cruciais do homem. Ele não passa apático ao sofrimento alheio, antes, tem seu coração tomado pela dor e choro dos homens. 
É possível presenciar essa sensibilidade de Jesus perante o luto da mãe que está enterrando o seu único filho. Jesus se compadece da situação desse mulher, que não está atrelada ao pesado fardo e tristeza de enterrar o único filho, pois Lucas nos informa que ela já era viúva e agora sem filhos, isso lhe colocava em uma situação de risco, pois não haveria ninguém para lhe sustentar, já que mulheres não trabalhavam socialmente. 
Jesus entra na história (no caminho) dessa mulher e se compadece de sua situação. A palavra compaixão, tem por significado ser “ser movido em suas entranhas” seria o equivalente moderno de dizer que “sentiu o aperto no coração”. Logo, Lucas revela o grau da empatia que Jesus sentiu com uma mulher que lhe era socialmente desconhecida.
Sua compaixão com a dor humana é tão grande que o único relato que temos que revela que Cristo chorou, foi diante da morte do seu amigo Lazaro (Jo 11). O que nos revela a profunda verdade que Cristo é o Deus que entrou na história e nos tramas dos homens, Ele não ficou apático ao sofrimento do ser humano, pois como diz o profeta: “Ele carregou sobre si as nossas dores, o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e por suas pisaduras fomos sarados.” (Is 53. 4-5).
Precisamos aprender com Jesus A SERMOS SENSÍVEIS AO SOFRIMENTO HUMANO. Todo sofrimento deve ser sentido com compaixão, não importa de quem venha, devemos olhar com o olhar do Cristo que não permanece imune ao sofrimento que passa o ser humano, mesmo que seja por sua própria responsabilidade (e em última instancia o é).
Alias, a sensibilidade a dor do próximo, nos é um bom sinal do frutificar da salvação em nós, pois nos evangelhos, são os religiosos que permanecem apáticos a dor humana e não Jesus.

JESUS ERA SENSÍVEL AO QUE DEUS ESTAVA FAZENDO NA HISTÓRIA – Jo. 4-4
 “E era-lhe necessário passar por Samaria.”

Quando João nos informa que era necessário que Cristo passasse por Samaria, para chegar à Galileia, ele não nos está informando uma questão geográfica, pois isso não fazia sentido, pois como judeu, a última coisa que seria necessária a Jesus e aos seus discípulos, seria passar por Samaria, visto o problema étnico entre judeus e samaritanos. Não era seguro passar por lá, ele não seria bem-vindo e ainda estaria correndo perigo, por essa razão não era necessário do ponto de vista pragmático. Então por que João nos dá essa informação?
Há um aspecto divino nessa revelação de João. 
No capítulo 4 temos o relato de Jesus na companhia dos samaritanos. Ele fica lá por dois dias, ensinando e curando à muitos da cidade, nesse aspecto compreendemos a fala de João ao dizer que lhe era necessário passar por Samaria. Jesus tinha gente para alcançar ali também.
Isso fica mais evidente no diálogo com a mulher samaritana, que introduz a entrada de Jesus entre os samaritanos. Essa história é precisa ser vista sob a luz do profeta Amós, homem levantado por Deus para pregar ao reino do Norte (Israel), cujo a capital era Samaria.
Amós encerra o seu livro com uma profecia dura ao povo do reino do norte, onde diz que Deus enviará fome e sede ao povo, porém fome e sede da sua palavra. Eles vagariam pela terra, porém não encontrariam a palavra de Deus. A profecia diz respeito a ausência de profetas levantados por Deus no reino do norte e um longo período onde o povo do reino do norte experimentaria o silêncio do Eterno. Isso de fato ocorreu, pois o reino do norte foi tomado pela Assíria e o que sobrou das dez tribos do reino do norte se concentrou em Samaria, um povo misturado com outras raças, porém que aguardavam a vinda do messias, mas estavam a séculos sem ouvir um profeta da parte de Deus.
Porém Jesus precisava passar por Samaria. Ele precisava avisar àquele povo que o tempo do silêncio de Deus havia acabado. Eles não precisariam mais ter sede da palavra, pois Ele era a água da vida e quem dele bebesse jamais teria sede.
Jesus era sensível ao que Deus estava fazendo na história e por essa razão lhe era preciso passar por Samaria.
Precisamos aprender com Jesus a SERMOS SENSÍVEIS AO QUE DEUS ESTÁ FAZENDO NA HISTÓRIA. Precisamos olhar o nosso redor e visualizar o que Deus tem feito, para que assim, possamos cooperar com Ele e nos tornarmos instrumentos de sua ação na história. Quando não percebemos o que Deus tem realizado ao nosso redor, corremos o risco de permanecer a deriva de sua ação e até mesmo nos colocarmos como empecilhos de seus planos.
Precisamos ter a sensibilidade de Jesus para percebemos a ação de Deus na história.

CONCLUSÃO:

Nossa oração deve ser para que Deus forme em nós a vida de Cristo. Para que sejamos sensíveis como Cristo foi sensível: 1) AO ESPÍRITO SANTO; 2) AS ORAÇÕES DOS IRMÃOS;       3) AO SOFRIMENTO HUMANO E 4) A AÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA.
Não é por nossa força, mas pela transformação operada pela salvação que nos conduz a essa maturidade de vida. Estar na companhia de Jesus é poder experimentar desse processo de transformação. É recuperar a capacidade de ser sensível a Deus, ao próximo, a vida e a toda a criação.