sexta-feira

POR UMA IGREJA MAIS SAUDÁVEL

Em uma época confusa, no que diz respeito à diversidade de igrejas evangélicas no Brasil atualmente, cabe aqui o desejo de expressar o anseio por uma igreja mais saudável.

Existem sinais que evidenciam a saúde de uma igreja. A partir desses sinais reconhecemos se estamos em uma comunidade de fé que abraça os ensinamentos de Cristo, formando assim discípulos que são sal da terra e luz do mundo.

Uma igreja saudável se vê como parte do Reino de Deus, ela não é em si o Reino de Deus, mas expressão visível e histórica dessa realidade. Sendo assim, a instituição não sobrepõe o Reino, pois sabe que os fiéis que ali se reúnem, são embaixadores do Reino a serviço da igreja local e não embaixadores da igreja local a serviço do Reino. Logo, a igreja local não é o fim em si mesmo, mas o meio pelo qual se manifesta algo maior e mais profundo.

Viver nessa perspectiva significa ter um olhar amplo que vai além das paredes da instituição. Um olhar que não se torna bairrista ou reducionista. Um olhar que consegue perceber a sinalização e expansão do Reino de Deus como algo para além da exclusividade da igreja local ou da denominação escolhida.

Uma igreja saudável tem relevância local à semelhança de Cristo. Nos evangelhos, onde Jesus estava às multidões se afluíam para lá. Semelhantemente, a igreja deve atrair e acolher as pessoas a sua volta. Relevância local se percebe pela diferença que uma Igreja traz ao seu entorno.

Uma igreja saudável cede espaço para os fiéis desenvolverem seus dons e talentos. Ela proporciona e estimula um ambiente de crescimento onde todos são chamados a servir com o seu dom e na sua área de atuação, servindo sempre com alegria e com a consciência desse privilégio. A partir da igreja local, expande-se a área de atuação, extrapolam-se os limites de concreto da igreja enquanto instituição e inunda a sociedade ao redor.

Uma igreja saudável firma-se no caminho da palavra e da oração. Quanto maior a centralidade do ensino bíblico e a prática constante e comunitária da oração, mais evidentes se tornaram esses sinais de vitalidade e crescimento saudável. Quanto mais uma igreja se afastar desses caminhos, mais enferma e doentia se tornará.

Por fim, uma igreja saudável é aquela constituída por um ajuntamento de pecadores que clamam pela misericórdia do Pai, confiados no sacrifício do Filho e transformados pela ação do Espírito. São esses que oram dia e noite desejando ser a imagem de Cristo Jesus e ao expressarem esse desejo, consequentemente oram por uma igreja mais saudável.


quarta-feira

Divina Semente

Quisera a flor durasse pra sempre
E o perdão não fosse ausente
Tendo sempre amor presente

E eu de tão reticente
Tornei-me moço valente
Com a faca por entre os dentes

Passei por toda essa gente
Brasil que me deu por quinhão
E o que, que se fez dessa terra
Tornaram-na toda em sertão

Roguei ao dono do mundo
Que desse daquela semente
Que mata a fome da gente
Morre trigo, nasce pão

E o povo que a seca consome
Se perde no grito do "homi"
Que leva em seu braço forte
O menino que morreu de fome

Ah, quisera a flor durasse pra sempre
Tornaria eu homem contente
Por ver que na vida da gente
A dor se tornou reticente


"Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos;
E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto;Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas."  Mc. 6.7-9




Esse texto é um chamado à vida simples do discípulo. Cristo, ao enviar os seus discípulos para a missão, ordena-lhes que aliviassem a bagagem e buscassem a simplicidade. Nada de sofisticação, de malas pesadas, de instrumentos grandiosos, de parafernália excessiva. Apenas o básico.

O discípulo de Cristo está sempre caminhando, não se prende a um lugar. Isso não quer dizer não ter moradia, a questão é mais profunda e não se restringe a apenas um fator geográfico. O discípulo de Cristo não é desta Terra; sua pátria não é aqui. Ele está em missão, ele é peregrino, assim como o Mestre.

A missão do discípulo se faz enquanto ele vai, no caminhar. É “indo e fazendo discípulos”, como ordena o Mestre. Discípulo que se acomoda e perde o dinamismo do ir é discípulo que perdeu o foco no chamado de Cristo e se apegou às paixões passageiras.

O discípulo de Jesus, o Cristo, é conduzido pelo vento e quem é conduzido pelo vento não tem tempo para se preocupar com bagagem. Na verdade, a bagagem é um excesso e peso desnecessário. Caminhar com Jesus é um chamado para caminhar pela simplicidade, o que não quer dizer não possuir nada, mas na verdade é viver sem ser possuído por nada, viver o desapego, apegando-se apenas ao mestre e à sua palavra.

Os discípulos caminham sobre a terra cumprindo a missão do Cristo, sem se preocupar com o que comer (pão); sem se preocupar em acumular as coisas (alforje); sem se preocupar com sustento (dinheiro). Levam apenas o essencial: cajado, sandálias e uma túnica. O cajado pressupõe lugares de difícil acesso; as sandálias pressupõem longas caminhadas a serem percorridas e a túnica anuncia o frio que se poderá passar nas noites solitárias.

Ser discípulo de Cristo é viver o desapego. Desapego ao local, pois é transitório e peregrino; desapego às coisas materiais, pois o sustento vem do Pai; desapego às técnicas e ferramentas, pois a autoridade do que se faz não está em quem faz nem nas coisas que se usa para fazer, mas na palavra daquele que envia: Jesus, o Cristo.

quinta-feira

Que vença o amor

Diante do meu ódio desenfreado
Do meu falar desatado
De um olhar malogrado
Que vença o amor

Durante a raiva persistente
Do retrucar insolente
Desse pesar incontente
Que vença o amor

Serei derrotado
Perdido, louvado
Sem mérito honrado
Alegre vencido
Mas não perdedor
Pois nessa peleja
Que vença o amor