sexta-feira

#003 A formação do mensageiro de Deus - Gl 1.10-24


Texto: Gálatas 1.10-24

√ O que você conhece a respeito do apóstolo Paulo e o que lhe chama a atenção sobre a vida dele?
√ Paulo perseguia os cristãos em “nome de Deus”, porém, mais tarde descobriu que estava perseguindo o próprio Deus. Como descobrir se o que fazemos de fato é para Deus e de Deus?
√ Os cristãos, ao descobrirem que Saulo, agora Paulo, estava pregando o evangelho disseram: “Aquele que, antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir.” Quais ensinamentos podemos extrair dessa fala?

APLICAÇÃO
√ Paulo foi sem dúvida o maior missionário e teólogo da era cristã. Porém, antes de se tornar um homem de Deus, era um homem que perseguia o próprio Deus. Sem dúvida, não há pessoa que não possa ser transformada pelo poder do evangelho.
√ Tudo o que é feito em nome de Deus nos conduz sempre a sermos mais parecidos com Jesus Cristo, pois Cristo só fazia aquilo que o Pai mandava.
√ Diante da transformação que Cristo faz em nós as pessoas glorificam a Deus, pois reconhecem em nós um milagre.

quinta-feira

#003 – A lógica da concorrência


“Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra” Gênesis 4.9-12

Caim era lavrador e Abel pastor. Ambos mantinham relação direta com a criação divina, porém, não mais como era no jardim, pois agora, tudo se desenvolvia a partir da lógica do rompimento, a terra havia se tornado maldita por conta do pecado de Adão e Eva.

Temos em Caim e Abel a primeira divisão do trabalho social, ou a primeira divisão social do trabalho, depende-se do ponto de vista em que se olha. O fato é que há uma setorização da relação com a terra, de certa forma uma descontinuidade da relação harmônica no jardim.

Sabemos que a oferta de Caim, durante o culto ao Eterno, foi recusada devido às suas obras que eram más. Ao passo que Abel e sua oferta foram aceitas perante Deus, pois este havia se agradado da obra completa. Caim, obviamente se enfurece com a decisão, sobretudo sendo ele o primogênito e o que carregava a esperança de esmagar a cabeça da serpente. Caim passa a ver seu irmão como concorrente a seu posto, pois Deus havia se agradado mais de Abel do que dele.

Na lógica da concorrência não há espaço para a construção coletiva e comunitária, mas apenas para o desenvolvimento individual e auto excludente. Para que alguém chegue em primeiro é necessário que alguém fique em segundo lugar. Na lógica de Caim a conta já estava resolvido, pois como Abel foi tomado como o primeiro, restava-lhe apenas eliminar a concorrência.

A queda trouxe a perda da extensão, homem e mulher não se viam mais como extensão, mas sim como um e outro. Os irmãos também padeceram de tal mal. Caim via Abel como concorrente e todo concorrente deve ser superado quando possível, quando não, eliminado. E é isso que ele faz.

Por acaso sou eu tutor de meu irmão”. Fala profunda de Caim que revela o esvaziamento de todo afeto. Revela também cinismo, pois o mesmo sabia onde seu irmão estava. Também, revela falta de temor à Deus e menosprezo, ou pelo menos, desconhecimento de quem o Eterno era. Interessante observar como o ato de Caim, traz novamente consequências diretas com o solo: “Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força”. Novamente o pecado humano altera a relação homem e terra, que já havia sido alterada na queda, mas se intensifica em um novo grau, pois a terra que estava acostumada a receber o orvalho, agora se abriu para receber o sangue de um ser que carregava a imagem do Eterno.

Caim era movido pela lógica da concorrência. Ele eliminou o irmão, abandonou os pais e abriu a sua concorrência contra o Eterno, pois se o projeto do Eterno era o Jardim, Caim, cria a cidade, um projeto que nasce sob a égide de uma maldição, pois a ordem do Eterno era que ele fosse errante por sobre a terra.

Dentre tantos aspectos, a cidade carrega o DNA da concorrência, que é o oposto ao comunitário. Logo, viver na cidade é viver para superar e suprimir qualquer um que venha a se apresentar como um concorrente a uma vaga, seja no âmbito educacional, profissional, familiar e até mesmo religioso.

Crescemos com a tentação de sermos o melhor filho; o melhor amigo; o melhor estudante; o melhor trabalhador; o melhor namorado; o melhor pai e até o melhor crente.

Obviamente que esse texto não defende uma apologia a mediocridade, antes, alerta que por detrás de um desejo de ser e dar o melhor, pode-se contemplar a natureza caída de Caim, que entendia que ser o melhor, significava ser ao mesmo tempo o único.


Em um universo pautado pela lógica da concorrência, os homens se isentam da dor alheia com a maligna resposta de Caim: “Acaso sou eu tutor de meu irmão?”.

segunda-feira

Sobre o coração partido

Quem parte um coração
É parte de uma partilha
Que divide ao meio
Quem partilhou o que tinha
O bem mais que precioso
Quebrado faz alvoroço
No peito de quem dividia