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terça-feira

O SONHO DE UM REI

O rei sonhou
Mas que sonho o rei teria?
Sonho de um grande amor
O poeta responderia
E não é que é verdade
O sujeito já sabia
No princípio era um sonho
O Sonho que o rei sonhou
Trabalhando com cuidado
O seu plano executou
Veja só o grande rei
Operário se tornou
Passado os dias de trabalho
Completou sua criação
A beleza era indizível
Gerava admiração
Fez um ser a sua imagem
Lhe enchendo de paixão
Esse ser que foi criado
O sonho quis estragar
O enredo todos sabem
Não preciso me alongar
Essa parte da história
Faço logo é pular

Como disse no começo
O sonho é de amor
Nenhum ato derradeiro
Tornaria-o em horror
O sonho do rei não muda
Nada estraga o seu labor
Não mudou, pois no começo
O rei lhe deu sustentação
Antes mesmo de sonhar
Concedeu o seu perdão
Para aquele que intentasse
Contra a sua criação
Passa dia, mês e ano
Primavera e verão
Dia frio e ensolarado
Passa a seca no sertão
Só não passa esse sonho
De eterna duração
Toda arte e beleza
Me revelam aonde irei
Esse pesadelo triste
Tem fim certo disso eu sei
Pois quem dá o tom na história
É o sonho do meu rei

segunda-feira

DIVINO POETA


Entre os mistérios de Deus
O canto que me encanta
Levo guardado em minh’Alma
Divino milagre me espanta
Poeta que pena na pena
Do pó é Deus quem levanta
Me digam de onde vem
O canto do sábia?
O bicho nasce mirrado
Mudo e sem falá
Mas quando cresce froresce
E embeleza com seu cantá
E quem explica a cigarra
Pequena que dá té dó
Canta alto, canta forte
Num solo que segue só
O canto ecoa no vento
Seu corpo retorna ao pó
Entre os mistérios de Deus
O canto que me encanta
Levo guardado em minh’Alma
Divino milagre me espanta
Poeta que pena na pena
Do pó é Deus quem levanta
Sem falar no Louva Deus
Majestoso em verde manto
Esse é crente desde berço
Nasce até com nome Santo
Glorifica ao criador
Ofertando-lhe seu canto
O farfalhar de borboleta
Só sensível pode ouvir
O barulho logo abafa
E a beleza faz sumir
Com o sussurro de uma brisa
É som perfeito pra dormir
Entre os mistérios de Deus
O canto que me encanta
Levo guardado em minh’Alma
Divino milagre me espanta
Poeta que pena na pena
Do pó é Deus quem levanta
Aturdido fiquei com o som
Precisava de explicação
Fui falar com especialistas
Sobre o bendito refrão
Quem é o grande maestro
O dono da composição?
João Alexandre me disse
Em voz e violão
Ele é o divino poeta
O amor em perfeição
Do outro lado do mar
Nos veio trazer salvação
Um tal de Gerson Borges
Me disse que ele é o Pai
 Que sempre ama seus filhos
Não importa por onde vai
Restaura o fraco na fé
Que num vacilo logo caí
Glauber Plaça e o mestre Kuhlmann
Me falaram de um Deus trino
Um deles até tem
Sobre o tema um belo hino
Dos três um se fez homem
Nas badaladas do sino
Alma e Lua mais Gladir
Já firmarão posição
É a mesma que aderiu
A Banda do Seu Rubão
O Maestro dessa orquestra
É o Deus da criação
Me disseram Arlindo Lima
Diamanso e Grãos da terra
É Maestro dos valente
Com ele homi ninhum berra
Mas é todo homem de paz
De amor e não de guerra
Esse grande tapeceiro
Tem é muita inspiração
Como diz Stênio Marcius
Com tremenda devoção
Pela Graça de seu filho
Alcançamos redenção
Vencedores são por Cristo
Esses homens de batalha
Tantos outros nesse time
Minha memória já até falha
Suas canções e poesias
Em minh’Alma inda trabalha
Já me dou por satisfeito
E fico muito contente
Descobri que esse Deus
Que inspira essa gente
Não é um ser carrancudo
E sim homem sorridente
Vou ficando por aqui
Nessa prosa derradeira
Esqueço do mundo lá fora
Sentado em minha cadeira
Deleito divino som
Da nossa música brasileira

terça-feira

A NOVA ORDEM


Apresento a nova ordem
E que ordem será essa?
Logo cedo se impôs
Se portou com muita pressa
Acabou com a humanidade
Transformando-a em peça
Tem-se hoje ordem nova
Homens valem como bois
Promoções das mais baratas
Compra um e leva dois
Não confundam-os com maquinas
“Na verdade homens sois”
Tudo é repaginado
Pelo grande capital
Não se sabe nade dele
Só que é “cabra muito mal”
E não vale cara feia
Nem botá ele no pau
Cara feia é o que mais tem
Basta olhar para as crianças
Sem escola, sem acesso
Não se tem nem esperança
Mas a nova ordem diz
Que são tempos de bonança
E debaixo desse sol
Não existe nada novo
A história do planeta
É história de um povo
Que sofre dia após dia
Sem ter tempo pro renovo
Se gasta milhões em prédios
E nada com educação
Bilhões em tecnologia
Nada em alimentação
E o pobre perdido segue
Sempre na alienação
Ansioso eu espero
Por aquilo que virá
Isso sim é nova ordem
Ninguém mais ordenará
Todos juntos viram UM
Tudo novo se fará
Talvez seja utopia
Mas não se faz mal sonhar
Essa ordem aqui vigente
Só me leva a chorar
Pois me trata como cifra
E não me incentiva a amar

Mercado, indústria, empresa
Capital, Capitalismo
Justiça, governo, estado
Caíram no liberalismo
O feudo ficou pra trás
Viva o imperialismo!

segunda-feira

A VELHA IMPERTINENTE


Vivia numa cidade
Uma velha impertinente
Osso duro de roer
De tanto que’ra insistente
Brigava pelos direitos
Que é comum a toda gente

Na cidade também tinha
Um juiz muito folgado
Ignorava a dor do homem
E o sofrimento do coitado
Quem se enfrentava com ele
Saía sempre lascado
Não havia homem no mundo
Que agradasse esse juiz
Não fazia seu trabalho
O seu próprio nome diz
Zé Preguiça Não me amole
Tava lá escrito a giz
Mas tem gente nessa vida
Que num cansa de tentá
É o caso da velinha
Eu vou logo é contá
Grande foi o importuno
té o juiz lhe notá
Depois de tanta insistência
Teve seu pedido aceito
Mesmo com grande barreira
Insistiu e deu seu jeito
Teve sempre boa fé
E assim seguiu direito

Nas parábolas do mestre
Há grandes verdades ditas
O próprio juiz sem fé
Traz lições a serem lidas
Mas não basta só saber
Necessária é serem cridas
Neste causo aprendemos
Do poder da oração
O combustível é a Fé
Ela move coração
Mas nos dias do juízo
Será algo em extinção




Os discípulos de Cristo
Devem sempre insistir
Pois com Fé o Pai os ouve
Do céu põem a se assistir
Ao discípulo que insiste
Não demora a acudir
Quem tem Fé que não vacile
Quem não tem que vá buscar
Pois sem fé nada se vale
A Deus não se pode agradar
Cristo volta sem demora
E sua Fé como estará?

O cabra Caloteiro

Nas banda das palestina

Tinha um cabra caloteiro

Que devia todo mundo

Devia muito dinheiro

Foi preso pelo juiz

E caiu no desespero

“Oh seu moço senta aqui!”

Disse a voz do delegado

Sua acusação é grande

É a maior de todo estado

Pegue logo seu dinheiro

E pague quem foi enganado

O moço fez choro e drama

Implorou por salvação

Disse que não tinha nada

E pediu prorrogação

O delegado mui bondoso

Aceitou a petição

Logo que voltou pra casa

Foi atrás de mais dinheiro

Reuniu os seus capangas

O seu plano foi certeiro

Recolher os dividendos

Daquele velho ferreiro

O comboio assustava

Aquele velho senhor

Que clamava piedade

“Daí-me tempo por favor”

Dinheiro não tenho em casa

E nem nada de valor

O danado caloteiro

De ira logo se encheu

Nem quis saber da história

E logo já o rendeu

Fez do velho o seu escravo

E na fazenda o prendeu

A história correu solta

Divulgou pela cidade

O delegado logo soube

Da tamanha crueldade

O caloteiro larapio

Tinha agido com maldade

De manha bem logo cedo

Chegou a intimação

O caloteiro da cidade

Foi posto em audição

O delegado da policia

Dirigia a acusação

Sua divida era grande

Afrontava toda a lei

Me clamava por clemência

E perdão não recusei

Mas agiste de má fé

Os seus atos eu bem sei

Como eu lhe perdoei

Deverias perdoar

Mas a gana por dinheiro

Impediu-o de amar

E ao velho moribundo

Derramou grande pesar

É por essas e por outras

Que mereces a prisão

Espero que na cadeia

Tu aprendas a lição

Trate o próximo da gente

Sempre a como um irmão

Jesus conta essa história

Para todos ensinar

Que na vida se errarmos

Deus é bom pra perdoar

E nos pede que vivamos

Sempre prontos a amar

Nossa acusação é grave

Mas perdão nos dá de novo

Nosso coração antigo

Ele troca por um novo

Se o nosso amor esfria

Ele traz sempre renovo

O causo da boa terra


Vendo o povo ao seu redor
O Mestre logo ensina
Usando o exemplo
Da semente que fascina
Do bolso do plantador
Sai vida que ilumina

Os seus pés correm ligeiros
Sua sacola vai bem cheia
Tem semente das diversas
Tem das bela tem das feia
Quem recebe é boa terra
Pois alegra quem semeia

A danada da semente
Cai na beira da estrada
Logo vem o passarinho
E se alimenta da coitada
Que tristeza desse solo
Não deu fruto, não deu nada

É lançada outra semente
E cai em solo pedregoso
A raiz nela não cresce
O solo era teimoso
O sol nasce e a queima
Sobrando só o seu osso

Cai a próxima semente
No meio do roseiral
Cresce um tanto sufocada
Chega até a passar mal
Sua morte foi precoce
Esmagada foi a tal


O plantador não desanima
E lança outra semente
Essa cai em terra boa
Ele fica bem contente
Dá fruto pra mais de cem
E alimenta toda gente

Adiante vai o mestre
E explica a história
A semente é a palavra
A palavra de vitória
Quem recebe esse presente
Vive a vida dando glória

O que planta essa semente
Esse é o pregador
Leva sempre boa nova
E trabalha com ardor
Vai chorando no caminho
E voltando com louvor

A semente do caminho
São aqueles que recebem
A palavra de amor
Desatentos não percebem
Que o astuto satanás
Rouba sem que lhes soubessem

A semente entre as pedras
É o pobre coração
Que recebe com alegria
A mensagem de perdão
Mas chegando a angústia
Corre pela contramão

A semente entre as roseiras
São aqueles fascinados
Nas riquezas desse mundo
E por elas são levados
Por amar tanto a Mamom
Ficam sempre sufocados

A que cai em boa terra
Essa sim é premiada
São aqueles que recebem
A mensagem anunciada
Com o tempo nasce a flor
Colorida e bem folhada

E eu fico por aqui
Com a história de Jesus
A semente foi lançada
Redenção provém da cruz
Siga o mestre sem demora
Que a salvação conduz