terça-feira

Lucas 2.1-20: A teologia do Caixote


Lucas ressalta mais uma vez um relato histórico para endossar ainda mais o seu relato que é profundamente místico. Ele cita o evento do alistamento nacional que o Rei de Roma institui sobre o povo, com esse evento histórico é possível se situar cronologicamente e ter uma boa base histórica. Mesmo assim, para compreender esse riquíssimo texto é necessário o uso da fé, mas do que nunca, pois os elementos envolvidos são altamente místicos.
Para os gregos estava nascendo o semi-deus, fruto de uma relação divina de um deus com uma mulher. Para os Judeus, nasce um libertador social mais do que espiritual. Lucas desenha o local do nascimento, e os elementos são fundamentais para entender a profundidade dessa perícope.

Ele descreve a presença dos anjos, que na teologia judaica exercem uma função importantíssima. São os anjos que trazem a confirmação de que o menino é o Messias para os pastores.
Os pastores por sua vez, representam a classe rejeitada pelos judeus, pois eles viviam tanto tempo com as ovelhas que cheiravam ovelhas, eram sujos, fedidos, e para esses o espaço na sociedade era pequeno. Eles recebem a presença dos anjos que cantam glorificando a Deus pela paz que chegou entre os homens através de Cristo. Tudo o que foi profetizado, a luz entre as trevas, o libertador, o servo sofredor, aquele que restauraria a sorte de Israel, havia se concretizado.
Mas onde?

Lucas enfatiza, ele repete o local do nascimento. Jesus, o Cristo, o Messias filho de Deus nasce em uma manjedoura. A manjedoura é um dos elementos mais ricos desse texto. É apenas um caixote de madeira onde os animais comiam suas refeições, mas foi ali que o Messias veio ao mundo e repousou o seu corpo e glorificou ao pai através dos anjos por seu nascimento.

Interessante que ele é o Filho de Davi, o rei, mas não nasce em nenhum palácio.

Ele é o cordeiro de Deus, mas não nasce no altar do Templo de Jerusalém.

Ele é o Tabernáculo de Deus entre os homens, mas sua primeira morada é um estábulo.

Deus está entre nós encarnado em Cristo. Ele é acessível. Pastores podem vê-lo e tocá-lo, reis podem presenteá-lo. Ele é o salvador, é o Deus dos pobres, dos desvalidos, daqueles que não podem entrar no templo por sua condição miserável, por causa da rigorosa lei. O Deus dos céus, criador de todo o universo esteve em um caixote de madeira. A Ele toda Glória in exelcius Deo!
[esta é uma serie de estudos sobre o livro de Lucas. Leia e Comente!]
Idéia extraída do missionário Marcos Botelho.

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